[RESENHA LITERAL] - A Herdeira - Kiera Cass



Editora: Seguinte
Autora: Kiera Cass
Nº de Páginas: 361
Sinopse/Resenha:

"Nunca consegui prender a respiração por sete minutos. Nem sequer por um. Uma vez tentei correr um quilômetro e meio em sete minutos depois de descobrir que alguns atletas faziam isso em quatro, mas fracassei espetacularmente (...) Contudo, há uma coisa que consegui fazer em sete minutos que a maioria das pessoas consideraria bem impressionante: me tornar rainha."








Estamos de novo dentro das encantadoras histórias de uma monarquia. O cenário, construído no país chamado Illéa, conta a atualidade do tão querido casal Maxon e America. Vinte anos atrás, America Singer entrou para a Seleção e ganhou o coração do príncipe. Na prática, o livro A Herdeira se passa depois do tão sonhado (suspiro) "felizes para sempre".

Apesar de terem participações fofas e carinhosas durante o livro, agora os reis são coadjuvantes. E Eadlyn, a filha do casal, herdará o trono. O peso dessa responsabilidade que traz nas costas a faz amargurada, por vezes mimada e até egoísta. A princesa sente que foi obrigada a viver o fardo de ser rainha - pelos míseros sete minutos que a trouxeram ao mundo antes do seu irmão gêmeo Ahren.

"Eu tentava não reclamar. Afinal, tinha consciência de que era muito sortuda. Mas havia dias, às vezes meses, em que eu sentia um enorme peso nas costas. Peso demais para qualquer pessoa suportar sozinha, na verdade."

Mas a nova situação do reino muda de forma drástica sua realidade. Diante das brigas decorrentes do fim das castas, os pais da princesa decidem trazer de volta A Seleção, o evento que elegerá nada mais nada menos do que o futuro marido de Eadlyn. Ela, insegura perante a situação, acaba por descobrir-se diante dos 35 jovens que são inseridos dentro do seu castelo, dentro da sua vida, e que mudam toda a sua rotina.

Inicialmente, Eadlyn planeja as formas mais bizarras para fazê-los desistir. Obstinada e teimosa, ela não aceita muito bem a ideia. Mas, com o passar do tempo, as reações publicas perante as suas demonstrações a fazem perceber que não é carismática o suficiente ou tão amada quanto a sua mãe ou sua avó. A vulnerabilidade por trás da muralha é exposta. A neblina começa a sumir e, consequentemente, ela acaba se envolvendo com a vida pessoal dos seus pretendentes. Desde os charmosos, cozinheiros, músicos, ternos, inteligentes ou corajosos, as diversidades de personalidades carismáticas acabam por desnudar a própria personalidade da futura rainha, que começa a ver neles um espelho de seus medos, de sua alma. Os meninos são, em suma, completamente envolventes.

A leitura é fluida, romântica e nos faz, em um certo tempo, passar a torcer pela evolução da personagem. É difícil para nós, leitoras, por vezes aceitarmos algo diferente do heroico. Mas Eadlyn nos mostra que todos têm defeitos – e alguns nem ao menos percebemos. Isso não nos faz más. Apenas nos faz prontas para crescer e mudar. O livro não é perfeito, mas é emocionante e encantador.

Eadlyn recebe lições nunca antes aprendidas. Ela aprende, ao ver situações tão diferentes da dela, sobre seu povo. Ela aprende sobre sua família. Além de se surpreender com os aprendizados do seu coração, antes tão habituado a frieza, numa confusão arrebatadora de paixões e sentimentos.


E a princesa não foi a única. Por minha vez, eu, que praguejei contra o livro por inicialmente detestar a protagonista, me surpreendi à espera ansiosa do próximo volume (e torcendo fervorosamente por Eadlyn).


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